A este ser humano que ultimamente me põe a pensar ainda mais. 
Normalmente não é necessário, penso sempre em dobro, diz-me constantemente que esse é o meu maior problema. 
Na verdade, ele não sabe que o meu maior problema foi conhecê-lo. 
Partilhar os meus anos de estupidez com um fio invisível ligado a ele; amadurecer a querer acreditar a todo o custo que não existe a peça perfeita que encaixe, que era uma sorte encontrar uma peça ainda inteira. Porque a verdade é que vamos crescendo e há alturas em que somos migalhas. 
E a verdade é que no dia em que o conheci tinha as expectativas a bater no teto, acreditei durante meses a fio que tinha conhecido a minha outra metade. Conclusão: fiquei-me pela minha própria metade. 
Mas a vida nunca deixou de me mostrar que nada te é tirado sem te dar em dobro logo em seguida. 
A maior ironia da minha vida foi quando deixei de procurar metade(s) porque percebi que era inteira. Nunca fui metade de nada. Sempre o todo.
E talvez por isso ou por alguma razão até hoje ainda no segredo dos deuses, o meu problema começou a tornar-se a solução. Até aos dias de hoje. 
Até quando for. Que seja. Que sejamos. 

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